Incertezas
1 de agosto de 2022, Taguatinga-DF.
Sentada na minha cama, 21h50.
Pensamentos fervilham na minha cabeça. Muita coisa para fazer, para arrumar, para bagunçar, sinto que o tempo de que disponho não será suficiente...
Não gosto de pensar na possibilidade de ficar doente, ainda mais se for grave. Automaticamente lembro da minha mãe e de todo o seu sofrimento. Não sei como apagar tantos anos feios, sombrios, não conseguia ver o horizonte, apenas desespero e solidão. A morte é um mistério, e uma dor sem fim para os que ficam e tem que conviver com a ausência dos seus amores. Perder o meu único amor (mãe) me fez refletir na fragilidade da vida e de como perdemos tanto tempo com coisas e pessoas fúteis, que não agregam em nada, que não se importam com o que é elementar (o Amor).
Vivo em um mundo permeado por guerras, ganâncias, injustiças, sofrimento mental, miséria, violências, das mais diversas formas. Vivo em um mundo onde o desamor impera. Como sobreviver a tudo isso, sem o abraço do seu amor? Sem o sorriso, sem as palavras de carinho, motivação e esperança por dias melhores?
Sinto como se eu tivesse um buraco no lugar do meu coração. Um vácuo. Às vezes sinto vontade de ser engolida, consumida por ele. Especialmente, nos dias frios, que pede por aconchego e calor. A ferida ainda está aberta, talvez, nunca se feche.
Não sei ainda o que está acontecendo como o meu corpo, só sei que a minha saúde não está das melhores. Preciso fazer um exame para entender o que se passa. Tento não pensar no pior, mas é custoso. A incerteza me assombra. Tenho medo da solidão que em minha porta bate.
Um amigo veio aqui, acabei comentando com ele, ficou super preocupado. Estou evitando falar a respeito, exatamente para não despertar preocupações, e também para não focar no problema. Preciso terminar o mestrado, sem pirar.
Joguei todas essas palavras aqui só para desafogar o meu peito, pois a qualquer momento poderia inundar tudo por dentro.
Evitando não chorar, porque minhas lágrimas parecem brasa. Queima! Queima! Queima!
Queria morar dentro do abraço de minha mãe! Mas não é possível. Ela se foi.
A vida é bonita, o amor é bonito, a natureza é exuberante, o céu, o mar me faz sentir arrepios, de tanta belezura, as estrelas me transportam para além do imaginado, mas nada, nada se compara a está perto de quem se ama, a sentir o amor bem de pertinho, bem coladinha, nada se compara ao suspiro do amor.
Mãe, queria mãe!
Hoje, a senhora é uma estrela, a mais brilhante e cintilante, que desponta todas as noites no alto das casas, bem lá no alto. Sigo essa luz como se fosse a minha própria substância. Preciso dessa luz para viver!
Você se foi.
E aquele adeus, não pude dar.
Vivo com a certeza do reencontro, de mais um abraço, é o que me conforta. Esse abraço não findará. Será a minha morada eterna.

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