Dias nebulosos
Então chegou maio…01 de maio de 2023, sentada na cama do amigo.
A vida passa tão depressa que parece que não consigo acompanhá-la.
Os dias correm. Parece que não querem ser alcançados.
Estou em um momento estranho. Dúvidas, confusões, incertezas pairam sobre a minha cabeça.
Na última noite de abril, o sono não foi nada leve. A cabeça parecia uma locomotiva que a qualquer instante parecia que ia explodir. Mapeei o colchão. Costumo deitar em uma posição e assim seguir até de manhã. Foi tenso.
Por quê? Ando assombrada com as obrigações e com a incerteza de um futuro próximo.
Se eu parar para pensar o que gostaria ou o que planejei para os trinta e dois anos, confesso que seria bem diferente. Se tivesse como fotografar o momento e captar o turbilhão de coisas dentro de mim. Certeza que seria avaliada como uma obra de arte.
Não sou boa nas palavras, tampouco expressar as dores que me perturbam.
Quisera eu ter a coragem de um poeta alucinado que não se importa com a opinião das pessoas, particularmente, daquelas que não entendem o que querem dizer. Então julgam sem saber.
Não me sinto confortável o bastante para expressar de fato o que sinto ou tenho vontade de falar. Me sinto silenciada por mim mesma. É como se eu fosse a minha própria opressora. Além disso, é importante dizer, no entanto, que a vida foi amarga comigo. As pessoas não tiveram piedade com a minha pessoa, visto que despejaram suas inseguranças e preconceitos em cima de mim. Como se eu fosse um depósito que suporta tudo.
Não! Não sou. Tem uma expressão aqui. Uma existência que precisa ser respeitada. Não sou um saco de pancadas. Sabendo disso, não posso reproduzir esse tipo de atitude desprezível.
O que me aflige?
Posso dizer que o meu relacionamento com o mestrado não anda nada bem. Não está fluindo de forma saudável. Sinto que não faz mais sentido. Por isso quero terminar tão depressa. Não é uma fuga de forma alguma. É como se não nos desejássemos mais, porém, eu tenho coragem de dizer, de perceber e assinalar.
Em suma, é uma via de mão dupla. E cada qual quer seguir uma direção. Na encruzilhada se esbarram, se colidem, e depois se afastam. É importante pontuar que não é por falta de tentativas. Não é uma desistência após perceber que é tão difícil.
Relacionamentos são complicados. Há que se reconhecer. Há que perceber que é preciso dedicação e atenção. O sinal nem sempre está verde, ele altera algumas vezes. As cores dizem um texto sutilmente. É preciso alertar-se para as mudanças e nuances.
A temperatura também é um aspecto a ser observado. O que acontece quando esquenta demais, ou esfria demais? Não tem um equilíbrio, e a panela de pressão pode explodir. Assim senti a minha cabeça ontem a noite.
O último dia de abril nunca mais será benquisto.
A pós-graduação foi uma experiência elementar. Gosto da ideia de ser docente, admiro a profissão imensamente. Ao longo do curso fui me dispersando da ideia e desejo de ocupar esse espaço. A minha saúde mental foi abalada por diversos fatores que envolve esse lugar. E essa coisa de não se afetar, se misturar, deixar para lá, não combina com a minha existência. Sou uma investigadora e observadora ferrenha.
Não ando com um caderninho e lápis. Registrar situações nunca foi o meu forte. Porque o meu cérebro captará aquilo que lhe impressionou e depois fará um backup propositalmente, para que eu não esqueça de algumas coisas. Para ser sincera, não gostaria de reviver. Como mandar esse comando para o cérebro? Como educá-lo? Não sou nada pedagógica. Será por isso que não quero o lugar de mestra ou professora? Como queiram chamar. Lembranças são gatilhos muitas vezes. Isso não é bom. As lembranças deveriam surgir somente quando for algo bom, que agregue.
Passado, presente e futuro. É uma grande doideira do tempo-espaço.
Quero encerrar essa conversa doida aqui dizendo que não estou bem. Posso assegurar que não estou. O medo me persegue. Insiste em me deixar abalada, além de ser o motivo de choro nesse instante.
Hoje é só o primeiro dia do mês. Maio. Que seja belo e leve como uma pluma. Que seja iluminado. Que seja corajoso, determinado, confiante e maravilhado. Maio, seja bem-vindo, e traga consigo uma tranquilidade que abril não deixou. Ingrato.
Ontem eu chorei. Hoje não quero chorar. Por favor, lágrimas insubmissas não me surpreenda hoje. Imploro.
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| Fonte: Google. |

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