Uma manhã de inverno
Amanheci me sentindo bem, em vista de outras manhãs.
Contudo, o medo, a insegurança, a ansiedade me perturbam, há algum tempo.
Medo de não dar conta, insegurança com as incertezas.
Sei que tudo isso é devido ao Mestrado, o dia da defesa está chegando. Por mais que escrevi, pesquisei, sei de todos os desafios que tive que enfrentar, ainda, sim, me sinto uma fraude. Sinto que vão me criticar, que não vão gostar do meu trabalho. Tenho a sensação de que não cumpri com o esperado.
Às vezes, penso que nada aprendi nesses dois anos. É como se não merecesse esse lugar. Fico com medo de me perguntarem algo sobre o meu trabalho e não saber responder. Isso me apavora. Como assim? Não foi você que fez esse trabalho? Sinto-me apavorada.
Estou muito feliz de ter chegado até aqui. Foi uma experiência incrível. E sei que poderia ter sido melhor, mas as circunstâncias não foram favoráveis.
Além da saúde física, respiratória, a saúde mental foi prejudicada nesse processo. Tudo isso refletiu na maneira de conduzir a pesquisa.
Sei que o que estou fazendo comigo é um desserviço.
Por isso, preciso me lembrar quem sou e o que consigo fazer. Foi uma batalha que venci, e tudo bem que não foi com honrarias, mas eu consegui!
Quem sou eu? Pauleânia Machado!
Sou uma pessoa que não desistiu do que acredita, luta até o fim pelo que almeja e principalmente, tenho um coração bom.
E o mais importante a ser lembrado é de que sou humana, erro o tempo todo, mas também acerto, e assim a vida segue seu curso (erros e acertos são elementos do aprendizado). Por que tenho que corresponder as expectativas dos outros? Por que tenho que fazer tudo conforme as regras? Quem criou as regras? Por que tenho que acertar sempre? Quem estar certo ou errado?
Ser isso ou aquilo, é um saco! Não quero ser isso ou aquilo. Quero ser isso, aquilo, e mais tantas outras possibilidades de ser isso ou aquilo. A vida não tem só dois lados, duas cores, duas possibilidades. Há uma infinidade, uma galáxia inteira, um universo de cores, sabores, texturas, formas, e tudo o mais.
Me recuso a acreditar que é só isso ou aquilo. Não!
Por isso, eu sei o que sou, o que faço, do que sou capaz, do que não sou. Ninguém pode dizer o que sinto, como devo me sentir, com quem devo me relacionar, etc. tal.
Aquele medo, insegurança, ansiedade, eu vou moer no moinho que acabei de criar. Porque só depende de mim resolver essas coisas que me apavoram. Os outros são só os outros, e nada mais. Eu sou dona de mim e tudo que me diz respeita.
Como narrava Frida Kahlo.
“Eu sou minha única musa, o assunto que conheço melhor”

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