Um dia desses no Aeroporto de Brasília (8/2/2024).
Uma quinta feira, mais ou menos umas 17 e 30, por ai. Estava eu sentada num desses bancos, que ficam próximos ao portão de embarque, ansiosa para chegar a minha vez de ir para a fila. A espera se fazia longa, visto que logo mais iria viajar para João Pessoa - PB. Um sonho que seria realizado dentro de algumas horas. Não fui especificamente para JP, mais ainda assim era um sonho conhecer um pedacinho do nordeste. Relembrar um pouquinho que fosse da energia que emana a terra nordestina. Ohh povo que me orgulha e enche meus olhos de satisfação de ser parte dessa gente que dorme e corda para brilhar.
Voltando ao enredo inicial, quero registrar uma atitude simplória e ingênua de uma menina linda e carinhosa, além de ter sido generosa. Como dizia a pouco, estava eu sentada aguardando o grupo 5 ser chamado para formar fila, a menina (que o nome me escapa nesse momento), chegou com o irmão e sentou ao meu lado. Olhei algum tempo para ela, curiosa para saber o que ela carregava nas mãos. Um monte de lápis de cor, uma pequena caderneta, Achei-a muito interessante, ouvi um pouco do que conversavam (ela e o irmão). Fiquei impressionada com articulação das palavras que trocavam. Ela me olhava vez ou outra. De repente percebi que estava tentando esconder o que tentava rabiscar. Mesmo se eu tentasse, não seria possível de eu ver. Nem ousaria tentar, seria muito invasivo de minha parte.
Voltei a minha atenção novamente para o meu companheiro, que me abraçava apertado, haja vista que presumiu que eu estava apreensiva por conta da viagem. Conversamos, nos beijamos e seguimos sentados.
Lembro-me de ter sorrido para a artista mirim, a qual retribuiu o sorriso timidamente.
Dentro de uns instantes ela foi ao encontro de seus pais, que já estavam na fila. Coincidentemente, iria pegar o mesmo avião.
Escutei uma voz doce e baixinha me pedindo atenção. Era a menina de pele branca, cabelos na altura no queixo, lisos e castanhos. Uma carinha de anjo, me abordou para falar que me achou muito bonita e por isso fez um desenho para mim. Na hora não acreditei. Ela estava bem na minha frente, me encarando. Esbocei um sorriso, sem graça, e ao mesmo tempo contente pela observação da pequena artista. Agradeci rapidamente e perguntei o seu nome, retribui o elogio. Perguntei pelos seus pais, para onde iria (invasiva, talvez). Acenei para seus pais, que sorriram para mim. Fiquei feliz com toda aquela cena. E desacreditada. Como pode uma criança olhar para uma pessoa desconhecida e desenhá-la? De forma espontânea. Achei um ato de coragem. Uma verdadeira artista. Depois ela seguiu o seu caminho, eu o meu. Mais a cena não saiu da minha cabeça. As vezes só precisamos de alguém desconhecido para provocar uma chama, uma faísca de luz, de vida, de visão de mundo.
Guardei o desenho com carinho. Não é sobre o desenho em si, é sobre o olhar de uma criança a respeito de uma pessoa que ela nem conhece e que nunca mais vai ver na frente dela, a não ser por uma obra do destino. Mas nem eu e nem ela vamos lembrar uma da outra. É sobre um gesto de carinho e generosidade. Assim entendo.
É bom frisar que as crianças têm muito para ensinar. O modo como elas veem o mundo é formidável. Olhemos mais atentamente para as expressões das crianças, para o que elas clamam e reclamam.
Eu fico por aqui com a gratidão de tê-la conhecido, de ter cruzado o caminho dela na hora exata.
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