Dia chuvoso...

 17 de novembro de 2024, de algum lugar do Riacho Fundo I.


Do alto do terceiro andar, escrevo essas linhas, olhando para uma bela vista, nuvens carregadas, chuva cai sem parar, e o frio que entra pela fresta da janela me faz querer ficar na cama. 

Acordei cedo, fui a academia (em pleno domingo, sim!), tomei café, tomei banho e agora me pego deitada na cama quentinha. Tenho vontade de fazer várias coisas, sair para visitar um familiar, assistir filmes o dia todo, sair para ir ao parque ecológico, ou mesmo ler um livro. No entanto, tenho coisas (trabalhos) para fazer, os quais estão acumulados. Essa dúvida cruel me rasga o peito de aflição. 

O que devo fazer? Esse questionamento me persegue. Sei das minhas responsabilidades e o que deveria fazer. Mas também sei que tem outras tantas coisas que poderia estar fazendo. 

Viver em um sistema produtivo que nos impõe a produção contínua, e incessante é destrutivo demais. Tudo tem que ser voltado para a produção, para ganhar dinheiro, para fazer girar a economia, para alimentar uma pequena parcela da população, com o lucro do nosso suor. E para quê? No final das contas não ficaremos ricos ou nos assemelhar a essas pessoas que só pensam em lucrar, lucrar, lucrar...Será que vão levar todo esse dinheiro junto ao caixão, quando perecerem?

Porque não é possível, é muita grana para gastar. 

Enfim, resolvi expressar um pouco da minha angústia, do meu desespero por não conseguir viver o que de fato gostaria de viver. 

Gostaria de estar deitada em uma rede, lendo um livro sem pressa, sem aquela sensação de que não estou fazendo nada produtivo, porque ler um livro também é um ato produtivo, uma produção que alimenta o espírito. Enriquecedor. É uma forma de se alimentar, de cultura, de sonhos, de diversas possibilidades. 

Gostaria de ir visitar um irmão (que não vejo a tanto tempo), conversar coisas aleatórias, sem muita preocupação, sem polidez. Beber uma cerveja ruim (brahma :)), falar da vida, mas tocar no assunto de trabalho...

Resolvi escrever também porque passei um estresse logo cedo, com uma pessoa que diz que me ama, mas as ações não correspondem com as palavras. 

Eu sigo o que bell hooks ensina: "amor é o que o amor faz”, ou seja, o amor deve ser entendido como uma ação, em vez de sentimento. Não basta falar que ama, é necessário expressar em ações. 

Estou em um barco chamado vida que me leva todos os dias para lugares reais e imaginários, eu sou a condutora, eu decido para onde quero ir e onde quero me atracar. No balanço das ondas me refaço e me construo. 

Seguirei navegando nas águas da minha existência. 



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