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Incertezas

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 1 de agosto de 2022, Taguatinga-DF.  Sentada na minha cama, 21h50.  Pensamentos fervilham na minha cabeça. Muita coisa para fazer, para arrumar, para bagunçar, sinto que o tempo de que disponho não será suficiente... Não gosto de pensar na possibilidade de ficar doente, ainda mais se for grave. Automaticamente lembro da minha mãe e de todo o seu sofrimento. Não sei como apagar tantos anos feios, sombrios, não conseguia ver o horizonte, apenas desespero e solidão. A morte é um mistério, e uma dor sem fim para os que ficam e tem que conviver com a ausência dos seus amores. Perder o meu único amor (mãe) me fez refletir na fragilidade da vida e de como perdemos tanto tempo com coisas e pessoas fúteis, que não agregam em nada, que não se importam com  o que é elementar (o Amor). Vivo em um mundo permeado por guerras, ganâncias, injustiças, sofrimento mental, miséria, violências, das mais diversas formas. Vivo em um mundo onde o desamor impera. Como sobreviver a tudo isso...

Dias difíceis...

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 26 de julho de 2022, Taguatinga-DF. A pandemia bagunçou a minha vida (vida=caos). Encontro-me em um momento difícil. Tentando terminar um projeto de pesquisa para o Mestrado, com algumas questões ginecológicas desagradáveis para resolver (se é que é possível), cheia de inseguranças e temor pelo que pode acontecer. Ser bolsista tem suas desvantagens. Sinto-me pressionada pela lógica produtivista e moralista da sociedade capitalista patriarcal racista. Ser mulher nessa sociedade é estar o tempo todo em alerta, especialmente, as mulheres negras, indígenas, lésbicas, e outras. O mundo, comandado majoritariamente por homens, não tem dó, pisa com força, a todo tempo tenta esmagar, moer os corpos que desobedecem suas leis e comandos. “O MUNDO É UM MOINHO”. Alô, Cartola! Sair nas ruas a qualquer hora do dia é inseguro para as mulheres. Toda vez que encontro um cara na rua meu coração gela, grita em silêncio. É um suplício.  Não sabia como iniciar esse diário, joguei um monte de ...